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Acabei de ver o musical The Book of Mormom e só tenho uma coisa a dizer sobre ele: que coragem. Digo isso no sentido em que tem que ter mesmo muita coragem para lançar uma crítica tão forte a religiões numa peça da Broadway com visibilidade internacional.
Não é uma superprodução com efeitos nem grandes atores. É um musical, sim, bem escrito, encenado e muito engraçado. As músicas ajudam muito a contar a história e têm muita informação, contribuindo imensamente com as piadas do show.
Mormom é uma peça cara de pau mesmo, escrachada, debochada e desbocada. Numa primeira análise, pode parecer que é uma bestialidade e grosseria, mas garanto a todos, não se abalem e fiquem até o fim para ver a mensagem que é passada. O humor é pesado, alerto, estilo Simpsons e South Park (depois vi que são mesmos criadores) ou até mesmo dá pra comparar com nossos Casseta e Planeta antigo, CQC ou Portadosfundos. Perdi e deixei de entender muitas piadas, infelizmente, por que os diálogos são rápidos e nem sempre dá pra entender todas as palavras das músicas. Mas com um domínio de inglês mediano a bom, acho que dá pra captara essência do que é passado.
Nos Eua, onde a liberdade é tão prezada, uma peça como essa tem chance de sucesso sem ser incomodada, e ainda ganha prêmios e tem seu reconhecimento. Imagino no Brasil, se algo como isso fosse lançado, nossos preconceituosos, puristas, hipócritas, religiosos, racistas, melindrados e recalcados iam censurar grande parte das piadas, manipular a opinião pública para boicotar a peça, restingi-la a poucos ou mesmo proibi-la.
Respeito todas as religiões, sem exceção, e os que não tem nenhuma crença, mas admito que pouco conheço sobre os mormons, fiquei sabendo um pouco mais pela peça, apesar de ainda não saber o que é piada e invenção e o que não é. E fiquei curioso, pretendo ler algo extra para conhecer. Mas achei interessante ter essa abordagem diferente dos realizadores. E afirmo, apesar de ser o livro dos mormons, a história poderia ser sobre qualquer outra reliagião. Talvez tenha sido a mormom por ser uma religião americana, mas as metáfora acabam valendo para qualquer uma.
Para mim, o final da peça é espetacular, e tão bom que vale todo o esforço de vê-la. E não é ruim o início e o meio, mas para quem não esperava nada disso, esse humor pesado, esse debate religioso e cultural, por vezes forte e que pode chocar, teve momentos em que me perguntava: aonde esses caras querem chegar e qual o objetivo disso tudo? E tive a resposta ao final. Uma linda e bela mensagem, na minha opinião, uma lição a todos nós, sobre fé e o sentido das religiões.
Espero, sinceramente, que nesse mundo de fés fervorosas, guerras santas, radicalismos e pastores, ao menos quem ver essa peça tenha um momento de reflexão, pois foi o que eu senti. O humor, as músicas e as piadas foram apenas o meio para passar essa mensagem. É importante haver visões diferentes que levantem questionamentos e críticas. Esse também é o papel do humor, além de divertir. Por isso, se vale a dica: recomendo!